
Meus amigos, o que resta do homem quando está entre a vida e a morte? Pensem! Meus amigos, quanto tempo é necessário para o homem ver a luz da vida antes dele ir ao jazigo? Reflitam e me ajudem. De que servis vós, neste momento delicado onde, da vida só temos vontade de ir embora?
Meus amigos – os defeitos –, que posso fazer para que possa te evitar sem que tenha que partir?
Meus amigos – as virtudes –, como posso te ter em usufruto para evitar de partir?
Será que, mesmo nesta pior hora de minha vida, consigo ser sensato em minhas palavras?
Meus amigos, nesta hora em que, pouco a mim, como já sabeis, me servis de saída, tenho dúvidas se sois amigos ou inimigos. Esta dúvida me traz fraqueza e mesmo tendo uma coluna onde sustentar minhas convicções, sinto-me enfraquecido.
Sois do mundo as histórias dos grandes homens que lutaram e, muitos venceram, outros, tantos outros, perderam. Cada um com sua parcela na história. Eu, porém, não quero ser como William Wallace*. Minhas verdades só servem pra quem deseja ouvi-las. Que mais teria eu, se da vida perdesse a vida? Que mais teria eu, se não pudesse ver meu filho crescer por causa de minha presunção em pregar - de forma mal-educada – o que não querem aceitar?
Foi pra isso que, em minha vida, eu tivesse defeitos e virtudes, ao menos, pra ser o equilíbrio entre a perfeição de Deus e a inserção do pecado.
Volto a questionar: o que mais teria o homem se sua vida fosse–lhe tirada de súbito sem ao menos, tivesse conhecido o amor? Que mais teria o homem se todos os seus esforços fossem queimados em público, sendo acusado de introduzir a falta de pudor nas pessoas por falar da arte de amar?
Meus amigos, o que seria de mim, se vós não interrompêsseis minha efêmera felicidade, para que eu pudesse sentir, da vida, as piores dores? O que seria de mim, se eu não pudesse expressar meus sentimentos de ternura, compaixão e saudade...? o que seria de mim, se eu não pudesse expressar a única pessoa de minha vida, sobre o amor?
Porém, estou sem permissão para assim o fazer, e neste impasse não sei o que fazer.
Como, no tempo de hoje, em que, no mundo pouca coisa temos visto em relação ao amor, um homem fica impedido – quase impedido, pois, cabe a ele ou não continuar delatando seu amor ao mundo – de expressar seu devoto sentimento? Agora, o que me resta? Agora, esta hora a dor me aperta!
O que me resta, meus amigos? Até onde irão meus lamentos? Do que se queixa o homem? – diz o livro sagrado. A verdade é que não sei me calar diante de tão grande dissabor.
amaldiçôo o dia em que estou sendo infeliz.
Marzo Deutsch
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